sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O milagre do mistério

Pra mim, a prova irrefutável da existência de Deus, é ter em seu ventre uma nova vida se formando. Obviamente que a ciência explica os porquês de se gerar uma vida, mas eu não falo da 'obviedade' de que ela explica. Falo do milagre que ela não contesta.

O milagre de se formarem osssos que sabidamente são mais fortes do que o concreto e maleáveis como papel quando dentro do ventre. A ciência explica? sim, porém não totalmente e se encanta quando vê e presencia o milagre.

Depois do nascimento complicado do Davi, me permitiram ir para perto dele. Eu queria admirar meu filho, e por mais que meu marido e o restante da equipe médica dissessem que ele estava bem, era perfeito, eu só confiava nos meus olhos.Na verdade, eu sabia que ele estava perfeito, uma mãe não se engana e o rosto do pai não deixa dúvidas, mas não tinha jeito, eu queria vê-lo.

O Davi é um pequenino, mas lindo sem falsa modestia. Meu medo era que ele fosse ainda mais fraquinho por ter sido uma gravidez complicada e por ter nascido de 6 meses, mas não, ele é perfeito do seu jeitinho. Dorme tranquilo e com a expressão feliz. O rostinho dele é exatamente do jeito que eu imaginava, os olhinhos pequenos as mãozinhas minúsculas e os dedinhos dobradinhos como se segurasse o mundo com as mãos. Fiquei apaixonada pelo meu filho, mas não pude ficar perto dele, a UTI é só dele e dos amiguinhos que estão lá.

Fui para o meu quarto feliz e realizada como mãe, mulher e como pessoa. Colocar uma vida nesse mundo louco é uma tarefa fácil, porém ter a consciência de que educar é mais que ensinar a respeitar os mais velhos é outra história, mas não, não quero falar disso. Meu desejo é gritar para o mundo como estou feliz, como Deus foi bom comigo.

(15/12/09)
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Tive Alta ontem, dia 17/12 e o Davi ficou na maternidade. A sensação de sair do hospital com "as mãos abanando" é horrível, e por mais que eu saiba que ele está bem, está sendo muito bem cuidado, eu não fico tranquila e meu coração fica inteiro dentro da maternidade. Os médicos disseram que posso voltar todos os dias para vê-lo, mas não é a mesma coisa. Meu desejo era de levar o Davi pra casa, até sugeri montar uma UTI neo natal em casa, mas, obviamente é inviável até porque é uma coisa rápida, os médicos disseram que em no máximo 1 mês o Davi estará em casa. Mas quem disse que eu quero entender isso? Fiz pirraça, chorei e não adiantou, fui pra casa vencida pelo cansaço, mas ainda assim exibindo o sorriso de quem só teve um milagre na vida, é capaz.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Música pra distrair e começar a semana sorrindo

As caras que ele faz enquanto 'toca' e tenta cantar são ótimas!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Raul durante toda a minha vida

Eu sempre fui uma grande fã do Raul Seixas, daquelas que  discutia quando alguém não compartilhava ou criticava o meu gosto. Por influencia do meu velho pai passei boa parte da minha vida ouvindo o Raulzito e levando boa parte de suas músicas como lema. Não tenho vergonha de dizer também que chorei de soluçar quando ele morreu. Parecia que o meu mundo havia caído. Aos 18 anos de idade, creio que meu mundo realmente havia caído.


O estilo de vida de Raul Seixas não foi modelo pra ninguém, mas a forma que ele encarava o mundo sim. Ele, em sua trajetória de vida foi um homem que acreditou em sua vocação, perseguiu seu sonho, meteu a cara e fez. Egoísmo e egocentrismo a parte, era um gênio mesmo. Ele não precisava ser romântico pra falar de amor e nem encrespar a voz para reinvidicar o que achava de direito.


Ontem, enquanto assistia emocionada o programa 'por toda a minha vida' da rede globo, eu fiquei lembrando do grande homem que ele era, da forma em que ele se posicionava diante da figura que ele mesmo criou, a negação de sua doença, a aceitação de sua mortalidade. Raul se via como um deus e de fato se tornou um, prova disso foi a comoção geral quando ele morreu. O Brasil parou. A única pessoa que foi capaz de comover uma nação inteira assim foi Ayrton Senna, nem mesmo os mamonas assassinas conseguiram tal feito.


Enquanto o programa rolava, com trechos em que o próprio Raul falava, fiquei imaginando o tipo de música ele faria hoje. Será que Raul nos chocaria? Com certeza. Ele tocaria na nossa ferida de uma forma que poucos entenderiam, mas muitos se incomodariam.


Raul Seixas foi um homem que conduziu a sua vida da forma que melhor achou. Ele realmente viveu. Ele escolheu seu caminho, sua vida e sua morte.


Como disse Fernanda Lima, Raul Seixas deixou saudades, mas as suas músicas embalam multidões de fãs até hoje. Isso é o que torna um artista imoirtal, de fato.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Gerânio


Ela que descobriu o mundo

E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente

Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista

Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda

Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana
Fala inglês e canta em inglês
Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus
E lava os cabelos com shampoos diferentes

Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa
E corre quando quer
Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano
E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga

Tem computador e rede, rede para dois
Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão
Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs
Vai ao teatro, mas prefere cinema

Sabe espantar o tédio
Cortar cabelo e nadar no mar
Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda
Estou com saudades e penso tanto em você

Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda

 
Marisa Monte

domingo, 29 de novembro de 2009

Nós

A gente vive bem no nosso mundo até que um dia, alguém vem e invade o mundo trazendo na mochila um mundo novo cheio de possiblidades.

Aí, a gente decide deixar o mundo do outro se misturar ao nosso e percebe que combina, que é bom e muito gostoso, sem se dar conta os mundos se tornaram indivisíveis, irreversíveis.

A vontade, a imensa vontade de se tornarem um virou uma realidade que vive, pulsa e vibra.

É o amor,
é a vida,
é o Davi;
filho do amor.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Desejo

Hoje eu só quero que o dia termine bem!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Reconhecendo-se

Um belo dia ela levanta da cama apressada, prepara o café da manhã para o marido e os filhos, apronta tudo, ajeita a cozinha, põe as roupas para lavar e num determinado momento vê refletida no espelho uma mulher diferente. Ela então olha mais atentamente e chega a conclusão que aquela mulher é ela mesma. Mas não é possível, não pode ser possível.


Antes eu era bela, magra, meus olhos transmitiam alegria, meu corpo saúde, a minha pele era lisa e meus cabelos constantemente arrumados e penteados. Todos os homens me desejavam e todas as mulheres me invejavam. Como cheguei a esse ponto? ela pensava enquanto as lágrimas rolavam daqueles olhos fundos, cabelos metade loiros e metade brancos, rosto pálido e enrugado, corpo sem vida e muito acima do peso.


Sentada na cama da filha ela se olhava no espelho, as mãos cheias de roupas sujas e na cabeça dela passava um filme. Seria pela sua aparência que meu marido já não me procurava, chegava tarde em casa cheirando a bebida e perfume barato? Será que sua aparência assustava tanto que até suas melhores amigas tinham problemas demais para ouvir os seus? É bem verdade que de uns tempos pra cá ela só ligava para reclamar da vida e se lamentar pelo tempo perdido quando sonhara colocar uma mochila nas costas e ganhar o mundo.


Teve vontade de se suicidar, tomar todos os  remédios de casa e se afogar na piscina, de um jeito ou de outro ela morreria. Mas olhando pelo quarto da filha, sentiu um pesar e uma vergonha estranha de pensar aquilo. A filha era a única coisa boa que restava de sua vida, disso ela não tinha dúvidas. Lembrou-se das vezes que ela, ainda pequena dizia que a mãe era muito linda, mas lhe faltava brilho. Lembrou-se quando sua filha decidiu entrar em uma academia e perturbou para ela fazer o mesmo. A filha queria se espelhar na mãe ainda, mas a mãe não queria ser admirada, ou melhor, não sabia que não era.


Decidiu então que a morte não seria solução e sim um fim, e ela não vivera até alí para ser uma perdedora, ainda havia tempo. Levantou-se, jogou as roupas sujas num canto e foi procurar o telefone do nutricionista, do cirurgião plástico, da academia. Vestiu sua melhor roupa e foi para o shopping. Comprou de tudo, lingerie a maquiagem.


Naquele dia não teve almoço pronto na mesa, não teve roupa limpa nos armários e nem jantar. Ela chegou satisfeita consigo mesma. Cabelos cortados, escovados e pintados, unhas feitas, depilação de primeira em quase todo o corpo. Relaxada e linda, foi dormir no quarto de hóspedes. Na manhã seguinte não havia café pronto, apenas um nescau e um sanduiche, a filha precisava se alimentar para ir à escola. Sobre a mesa um envelope com o pedido de separação.


No espelho da suite do motel, ela não se reconhecia.